Recentemente, ao passar por esta rua em Juiz de Fora-MG, parei por um instante diante da placa e pensei: quantas vezes passamos por nomes assim, sem lembrar das histórias que eles carregam?
Paulo de Frontin (1846–1923) foi muito mais do que um nome em uma placa, foi um dos grandes engenheiros da história do Brasil. Trabalhou na antiga Estrada de Ferro Dom Pedro II e, depois, na Estrada de Ferro Central do Brasil, deixando marcas profundas em um país que se construía sobre os trilhos e sobre a engenharia.
Representou uma geração que via a ferrovia como símbolo de progresso e civilização. Foi gestor público, político, e também o responsável por uma das mais célebres obras emergenciais da engenharia brasileira, o “episódio da água em seis dias”, quando garantiu o abastecimento do Rio de Janeiro em tempo recorde. Essa ação foi feita junto a outro grande engenheiro, chamado Raimundo Teixeira Belfort Roxo, que deu nome a cidade da baixada fluminense Belfort Roxo, e também é um dos terminais finais do trem do subúrbio do Rio de Janeiro.
Sua atuação foi tão marcante que o município fluminense de Soledade de Rodeio passou a se chamar Engenheiro Paulo de Frontin, em 1946, em homenagem à duplicação da linha férrea e ao impressionante Túnel Grande (Túnel 12), com 2.245 metros de extensão, localizado na região.
Além disso, há o Viaduto Paulo de Frontin, estrutura metálica em arco construída em 1897, o primeiro viaduto em ferro e em curva do mundo, que até hoje é referência em engenharia e audácia técnica.
Patrono da engenharia nacional, Paulo de Frontin simboliza um tempo em que o engenheiro era, literalmente, um construtor de nações.
Hoje, ao ver seu nome nas ruas, lembro que cada placa é também uma lembrança silenciosa de quem ajudou a desenhar o Brasil.

Fotografia de Lucas Evaristo

