Poucos nomes, dentro da engenharia brasileira, conseguem unir com tanta maestria o rigor técnico, a sensibilidade histórica e a capacidade de inspirar gerações quanto ele. Engenheiro formado em 1947, professor, pesquisador e um dos maiores memorialistas da engenharia nacional, Silva Telles dedicou sua vida a algo que vai muito além de cálculos e projetos: ele dedicou-se a contar a história de como o Brasil foi construído através da engenharia. E, entre todas as suas contribuições, duas obras se tornaram pilares para quem deseja compreender profundamente nossa trajetória: “História da Engenharia no Brasil” e “História da Engenharia Ferroviária no Brasil”.
O primeiro livro, considerado um clássico absoluto, revela a engenharia como força estrutural do país, desde os séculos XVI a XIX. Não se trata apenas de registrar fatos, mas de mostrar como cada ponte, cada canal, cada estrada e cada ferrovia fez parte de um movimento maior de formação nacional. Já em “História da Engenharia Ferroviária no Brasil”, Silva Telles mergulha especificamente no universo que nos move até hoje: os trilhos. Ele apresenta a evolução técnica, econômica e social das ferrovias brasileiras, contextualizando desde as primeiras linhas até os desafios contemporâneos.

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Sua escrita combina precisão e humanidade. Ele não narra apenas obras, mas os engenheiros, as decisões, os contextos políticos e as transformações que moldaram cada etapa do desenvolvimento ferroviário. É por isso que a figura de Pedro Carlos da Silva Telles é tão cativante: ele fez da engenharia uma narrativa viva. Mostrou que toda infraestrutura tem alma, tem história, tem gente por trás. E seu legado permanece essencial para todos que atuam, ou desejam atuar, na área ferroviária.
Revisitar suas obras não é apenas honrar um dos maiores engenheiros do país; é compreender o passado para projetar melhor o futuro. Porque, como Silva Telles nos ensinou, a engenharia não constrói apenas estruturas: constrói memórias, constrói caminhos e constrói nações.
Pedro Carlos da Silva Telles faleceu em 30 de agosto de 2020, aos 95 anos.

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