I. INTRODUÇÃO

A gestão de ativos ferroviários começou a ser formalizada em 1957, com a criação da RFFSA (Rede Ferroviária Federal S/A) e tinha como objetivo principal gerir os interesses da União no setor de transportes ferroviários.

A RFFSA, que operou por mais de 40 anos, foi dissolvida em 1997, dando lugar a um modelo de gestão mais descentralizado, com a concessão de trechos de ferrovias para empresas privadas.

A gestão de ativos ferroviários hoje é um processo complexo, que envolve a manutenção da infraestrutura, a gestão de veículos e equipamentos, a gestão de recursos humanos e a otimização da operação. A tecnologia desempenha um papel importante na gestão de ativos ferroviários, com a utilização de sistemas de monitoramento, gestão de dados e ferramentas de análise.

II. DEFINIÇÕES

Um ativo, em contexto financeiro ou empresarial, é qualquer recurso ou bem que uma empresa ou pessoa possui e que tem valor mensurável, podendo ser usado para gerar valor econômico no futuro.

Os ativos podem ser:

1-Físicos (tangíveis)- Imóveis, veículos, máquinas, equipamentos, estoque, etc..

2-Intangíveis – Alguns exemplos:

-Tecnologia e propriedade intelectual, patentes, marcas softwares, direitos autorais.

-Relacionamentos com clientes e fornecedores;

-Capital humano.

3- Financeiros

Caixa, bancos, contas a receber e investimentos (aplicações financeiras).

III- CONSIDERAÇÕES

A gestão de ativos é crucial para garantir a eficiência, segurança e rentabilidade da rede ferroviária.

A importância da gestão de ativos ferroviários se manifesta em diversos aspectos:

1- Porte e extensão da malha ferroviária

Em termos de malha ferroviária, o “porte” significa a capacidade de transporte da ferrovia, enquanto a “extensão” diz respeito à distância total percorrida pelos trilhos, ou seja, o comprimento da rede ferroviária.

1.1- Porte da malha ferroviária:

1.1.1-O porte está relacionado à infraestrutura da linha férrea, incluindo a bitola (largura entre os trilhos), a capacidade de carga dos trens, a tecnologia utilizada e a capacidade de transporte de passageiros ou cargas.

1.1.2-Ferrovias com maior porte geralmente suportam trens maiores, com mais vagões e maior capacidade de carga, o que pode resultar em um transporte mais eficiente de grandes volumes de mercadorias.

1.1.3-O porte também se refere à capacidade de operação da malha, como a frequência dos trens, a velocidade e a segurança do transporte.

Extensão da malha ferroviária:

1.1.4- A extensão, por outro lado, é a medida da distância total da rede ferroviária, geralmente expressa em quilômetros.

1.1.5-Ela indica o alcance geográfico da ferrovia, ou seja, até onde a rede ferroviária se estende, conectando diferentes regiões ou cidades.

1.2- Extensão da malha ferroviária

1.2.1- A extensão da malha ferroviária é importante para a integração entre diferentes regiões, para o transporte de cargas e passageiros e para o desenvolvimento econômico e social de uma região.

1.2.2- Ela indica o alcance geográfico da ferrovia, ou seja, até aonde a rede ferroviária se estende, conectando diferentes regiões ou cidades.

2- Segurança

Consiste na segurança da rede, uma vez que permite identificar e corrigir problemas antes que eles se tornem acidentes.

3- Eficiência Operacional

Visa a otimização da utilização dos ativos, como locomotivas, vagões e via férrea, evitando ociosidade e reduzindo custos.

4- Redução de custos

O objetivo é identificar e eliminar desperdícios, otimizar a manutenção e reduzir custos de operação.

5- Prolongamento da vida útil dos ativos

A manutenção preventiva e a gestão eficaz os ativos permitem prolongar a vida útil do material rodante e via férrea, evitando a necessidade de substituições prematuras.

6- Tomada de decisões estratégicas

Fornecimento de dados e informações relevantes para a tomada de decisões estratégicas, tais como, investimentos em infraestrutura, compra de novos equipamentos e otimização de processos.

7- Melhora na competitividade

A eficiência de uma rede ferroviária contribui para a competitividade do setor de transporte, o que permite a redução de custos e o aumento da eficiência.

8-Desenvolvimento socioeconômico

A gestão dos ativos ferroviários contribui para o desenvolvimento socioeconômico para facilitar o transporte de cargas e passageiros, impulsionando com isso, o crescimento industrial e comercial.

9- Melhoria da qualidade dos serviços

Permite também melhorar a qualidade dos serviços oferecidos pelas ferrovias como a redução do tempo de viagem, melhoria do conforto e a garantia da segurança.

10- A manutenção preventiva para aparelhos de mudança de via (AMV)

Conforme o consultor técnico Rubem Louzada (Revista Ferroviária – 2025), com mais de uma década dedicada à inovação na via permanente, a VLR ENGINEERING apresenta seu mais recente avanço: procedimento e execução de esmerilhamento preventivo para aparelhos de mudança de via (AMV), que já demonstra ganhos significativos em durabilidade, segurança e eficiência operacional.

Aplicada por equipes da referida empresa e concessionárias no Brasil e no exterior, a nova metodologia vem reduzindo custos operacionais e prolongando a vida útil de componentes críticos como jacarés e agulhas. O estudo, liderado pelo autor supra citado, será apresentado na próxima edição da IHHA (International Heavy Haul Association) em novembro deste ano nos Estados Unidos, um dos maiores fóruns internacionais do setor.

IV- FATOS

A partir de 1956, durante o governo de Juscelino Kubitschek, os investimentos em infraestrutura rodoviária passaram a ser intensificados no Brasil.

O objetivo era promover a integração territorial e fomentar o crescimento econômico, alinhando-se à política de industrialização e à estratégia de atração da indústria automobilística.

A decisão de priorizar o modal rodoviário em detrimento do ferroviário foi parte de uma política de desenvolvimento adotada nos anos 1950, com o objetivo de atrair montadoras de veículos e criar um mercado interno robusto para a indústria automobilística nascente. Como consequência, o sistema ferroviário brasileiro foi gradativamente desmobilizado.

As consequências do abandono das ferrovias, são percebidas até hoje, conforme ilustrado abaixo:

1- A Agetransp (Agência Reguladora de Transportes) multou a Supervia por falta de investimentos nos trens nos últimos 10 anos. A concessionária não fez vários investimentos que estavam previstos no contrato, razão pela multa.

Segundo a Agência, a Supervia falhou em cinco itens do plano:

1.1- Reforma e adequação à acessibilidade de 48 estações;

1.2- Modernização das subestações e revitalização da via;

1.3- Instalação do sistema de sinalização ATP, que controla a velocidade dos vagões;

1.4- A construção de novos pátios e duplicação do trecho Gramacho-Saracuruna;

1.5- A substituição de equipamentos e melhora dos trens no trecho Saracuruna-Guapimirim.

No caso de Guapimirim, em visita realizada em 05 de Abril de 2022, pude constatar o total descaso com esta estação terminal, que outrora era a estação de transferência para a linha com destino à Teresópolis, conforme fotos abaixo:

Fotos da Estação de Guapimirim tiradas em 04/04/2022

Outro exemplo de descaso foi, devido à uma flambagem, um descarrilamento de um trem no ramal em tela em Fevereiro do corrente ano.

A Supervia informou que o acidente foi provocado pela alta temperatura registrada na linha férrea, que chegou a 71º.

Como consequência, o ramal foi interrompido até que o trilho fosse consertado.

Imagem: Linkedin (Newton Bandeira – O autor)

As fotos acima mostram claramente as consequências da falta de manutenção tanto preventiva na via permanente como nos carros rodantes, como também no leito do trecho em questão.

Prova disso é o relatório da CPTM que estima o custo de R$ 4,5 bilhões para a operação da Supervia RJ em 60 meses.

Deve-se observar que o custo de um quilômetro de ferrovia no Brasil pode custar entre US$ 2 milhões e US$ 5 milhões, dependendo da complexidade do traçado, do tipo de solo, das exigências ambientais e do padrão técnico.

Em caso de túneis, pontes ou duplicações urbanas, esse custo pode ultrapassar R$ 25 milhões por km.

Por isso, devemos entender de que seria um desperdício e falta de consciência, não fazer a manutenção dos ativos ferroviários, visto que entre várias consequências, podemos citar, perda de vidas, ações judiciais, e perda de concessão.

Em resumo, a gestão de ativos ferroviários é um processo essencial para garantir a eficiência, segurança e rentabilidade das ferrovias, contribuindo para o desenvolvimentos socioeconômico .

FONTES: SLIDES DO MÓDULO 3- GESTÃO DE ATIVOS FERROVIÁRIOS

RUBEM LOUZADA- CONSULTOS TÉCNICO

RELATÓRIO DA CPTM -METRÔS

ISTO É-

GOOGLE

G1 de 04/04/2022

ISTO É-20/02/2025

REVISTA FERROVIÁRIA- JANEIRO/FEVEREIRO -2025

NEWTON BANDEIRA DE MELLO GOLEK

CORECON-13.085.

Resumo Profissional

Newton Bandeira de Mello Golek é economista, especialista em engenharia ferroviária e profissional dedicado ao desenvolvimento do setor metroferroviário brasileiro. Natural do Rio de Janeiro e residente em Teresópolis (RJ), possui ampla formação acadêmica, incluindo MBA Executivo em Gestão de Metrôs e Transporte Ferroviário (UNIBF), pós-graduações em Engenharia Ferroviária (UNIBF e IPÓS), Direito do Consumidor (UNIFOA) e Engenharia Econômica (Universidade Estácio de Sá), além do bacharelado em Ciências Econômicas pela Universidade Gama Filho. Atualmente, cursa o MBA em Gestão Ferroviária pelo IPÓS.

Apaixonado por trens desde a infância, Newton direcionou sua carreira para compreender e propor melhorias para o sistema ferroviário nacional, especialmente diante do cenário de abandono e precariedade que o setor enfrenta. Seu trabalho e sua visão crítica buscam estimular o debate e fortalecer iniciativas que contribuam para a recuperação, modernização e valorização das ferrovias no Brasil.

Registro profissional: CORECON nº 13.085.

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