A Arauco Brasil deu início oficial às obras de implantação de um ramal ferroviário privado em Inocência (MS), marco que avança a logística do Projeto Sucuriú — o complexo de celulose de US$ 4,6 bilhões que representa a entrada da companhia chilena no mercado brasileiro de pasta de fibra curta. A cerimônia de lançamento da pedra fundamental está programada para o dia 5 de fevereiro de 2026, sinalizando o começo da construção da via permanente que deve ser concluída no segundo semestre de 2027.

O ramal ferroviário, com aproximadamente 47 – 48 km de extensão, foi concebido para conectar diretamente a planta industrial à Malha Norte operada pela Rumo Logística. A infraestrutura servirá exclusivamente ao escoamento da produção de celulose de Inocência, criando um corredor logístico integrado que permitirá que 100 % da produção anual estimada em 3,5 milhões de toneladas seja transportada por trem até o Porto de Santos (SP) para exportação a mercados internacionais.

Do ponto de vista regulatório, o projeto já avançou em todas as etapas necessárias para sua execução. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) concedeu autorização para construção e exploração da ferrovia por um período de 99 anos, além da emissão de Declaração de Utilidade Pública (DUP) que viabiliza desapropriações e servidões administrativas essenciais.

Para reforçar a operação logística, a Arauco firmou um contrato estimado em R$ 770 milhões para aquisição de vagões ferroviários, com fabricação e entregas previstas entre maio de 2026 e novembro de 2027. Esses equipamentos serão essenciais para o transporte contínuo da celulose produzida, em parceria operacional com a própria Rumo na malha conectada ao porto.

Do ponto de vista técnico-operacional, a implantação do ramal ferroviário segue princípios de integração e eficiência. A via será projetada para tráfego de carga pesada com sinalização e infraestrutura adaptadas ao transporte de alto volume, minimizando a dependência do transporte rodoviário e reduzindo custos logísticos e emissões de carbono. A ferrovia também incorpora soluções de engenharia para travessias e drenagem, como pontes e viadutos, garantindo continuidade operacional ao longo de seu trajeto.

A concretização do ramal é considerada um divisor de águas para a cadeia de celulose no Brasil, ao consolidar Inocência como um polo industrial ferro-logístico no centro-oeste do país. Ela também demonstra a aplicação prática do Novo Marco Regulatório das Ferrovias, que desde 2021 passou a permitir a construção de “shortlines” privadas integradas à malha principal, incentivando investimentos em infraestrutura de transporte focados no escoamento de produtos industriais.

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