Inocência (MS) – Em cerimônia realizada no último dia 6 de fevereiro de 2026, sexta-feira, a Arauco Celulose Brasil deu início à construção da ferrovia que integrará o Projeto Sucuriú, em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul. O evento marcou o lançamento da pedra fundamental da linha férrea, um marco para a logística da produção de celulose no país e a primeira shortline privada autorizada depois do novo marco regulatório ferroviário brasileiro (LEI Nº 14.273, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2021). A Ferrovia EF-A35 irá escoar a produção do que será a maior fábrica de celulose em linha única do mundo.

A iniciativa, considerada estratégica tanto para a empresa quanto para o desenvolvimento regional, reuniu representantes do governo federal, estadual e municipal, executivos da Arauco e parceiros do setor. Entre os presentes estiveram o ministro dos Transportes, Renan Filho; a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet; a senadora Tereza Cristina; o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)Guilherme Theo; o presidente executivo da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ)Paulo Hartung; e o prefeito de Inocência, Antônio Ângelo Garcia dos Santos, conhecido como Toninho da Cofap.

Autoridades durante momento simbólico do descerramento de placa, que marca o início da construção do ramal ferroviário da Arauco, em Inocência

Infraestrutura ferroviária para escoamento produtivo

Com extensão total de 45 quilômetros de trilhos externos, mais 9 quilômetros de linha interna na área da fábrica, a ferrovia seguirá paralela às rodovias MS-377 e MS-240 até se conectar com a Malha Norte, operada pela Rumo. Essa conexão é fundamental para o escoamento da produção através de um dos principais corredores logísticos do país até o Porto de Santos (SP), o principal ponto de saída da celulose brasileira para exportação. O ramal ferroviário que integra a estratégia logística do Projeto Sucuriú representa um investimento de R$ 2,4 bilhões, além dos US$ 4,6 bilhões já aplicados no complexo industrial principal.

O projeto ferroviário prevê a aquisição de 26 locomotivas da Wabtec e 721 vagões da Randon, com cada composição capaz de transportar até 9.600 toneladas de carga, reforçando a capacidade operacional e competitividade logística da Arauco no mercado internacional. A previsão é do lançamento de um trem por dia com 100 vagões carregados.

Impactos ambientais e segurança logística

A mudança do modal rodoviário para o ferroviário também representa ganhos ambientais e de segurança. A Arauco projeta que, com a entrada em operação da ferrovia, será possível reduzir em até 94% as emissões de CO₂ associadas ao transporte da celulose, além de eliminar cerca de 190 viagens diárias de caminhões das estradas da região, isso é o equivalente a milhares de veículos a menos circulando por mês, menor desgaste da malha viária e mais segurança para os carros de passeio.

Essa eficiência modal não só reforça o compromisso da empresa com práticas de logística mais sustentáveis, mas também contribui para reduzir riscos de acidentes rodoviários e custos operacionais logísticos associados ao uso intenso de caminhões.

Marco regulatório e ambiente de investimentos

No evento, executivos da Arauco destacaram a importância do novo marco regulatório ferroviário brasileiro, instituído em 2021, para viabilizar o projeto. A legislação moderna permitiu maior segurança jurídica, previsibilidade e condições para investimentos privados de longo prazo em infraestrutura ferroviária, isso em um setor tradicionalmente de capital intensivo.

Segundo Carlos Altimiras, presidente da Arauco Brasil, a ferrovia representa mais do que infraestrutura física: “é a materialização de um modelo logístico moderno, que amplia a competitividade da produção brasileira no cenário internacional”.

O diretor de Logística e Suprimentos da Arauco, Alberto Pagano, reforçou o simbolismo da pedra fundamental: “Hoje, ao lançarmos a Pedra Fundamental dessa linha férrea, mostramos que sonhos bem planejados saem do papel, e quando saem do papel, movem desenvolvimento, sustentabilidade e futuro”.

Geração de empregos e cronograma das obras

A construção da ferrovia deve gerar cerca de 1.000 empregos diretos, com previsão de conclusão do ramal até o final de 2027, em consonância com o início das operações industriais da fábrica de celulose.

A conclusão da ferrovia é vista como um passo decisivo para posicionar Inocência e o Mato Grosso do Sul como um polo logístico e industrial de relevância global no setor florestal. A integração multimodal e a conexão direta entre produção e exportação consolidam uma estratégia de longo prazo que combina eficiência, sustentabilidade e competitividade econômica.

Na imagem da esquerda para a direita, Governador Riedel, Ministro Renan Filho e Ministra Simone Tebet (Fotografia de Lucas Evaristo)

O que dizem as autoridades e executivos envolvidos

Para Pedro Palma, CEO da Rumo, “a visão de longo prazo da Arauco e a confiança depositada na Rumo com esta conexão ao corredor ferroviário de exportação pelo Porto de Santos contribuem para alavancar a competitividade e a sustentabilidade da cadeia produtiva da celulose. Desta forma, o país reforça seu protagonismo global neste mercado e o estado de Mato Grosso do Sul se consolida com o maior exportador, por meio de uma solução logística eficiente, segura e de baixo carbono”.

Guilherme Theo Sampaio, diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), afirma que “projetos bem estruturados e uma regulação bem feita trazem tudo o que o investidor, nacional ou estrangeiro, busca: estabilidade, previsibilidade e segurança jurídica. E isso significa integração multimodal, tornando o Brasil eficiente ‘da porteira para dentro’ e ‘da porteira para fora’. Quem ganha com isso é o Brasil e os brasileiros”.

Na opinião do Ministro dos Transportes, Renan Filho, “a ferrovia significa uma nova rota para o desenvolvimento. É a reintegração do Estado do Mato Grosso do Sul com a malha ferroviária nacional. Hoje é um dia marcante para o Estado, para o país e para a Arauco, e eu tenho muito felicidade de estar aqui”.

Já o governador Eduardo Riedel ressalta que “este é um grande projeto, fruto de um Estado que possui um ambiente de negócios que atrai investimentos privados e que governa com uma visão clara de desenvolvimento e crescimento”. Segundo ele, “o Governo do Estado continuará sendo parceiro de Inocência e da Arauco para viabilizar essa infraestrutura que consolida o Mato Grosso do Sul como protagonista global no setor de florestas plantadas e transforma o imenso potencial da nossa região em oportunidades reais para a população.”

O prefeito Antônio Ângelo, enfatiza a união de esforços entre o setor público e privado como o motor do desenvolvimento regional: “Quero destacar a importância das parcerias que tornaram este projeto possível. O diálogo com a Arauco, com o Governo do Estado, com o Governo Federal e com as demais instituições envolvidas foi fundamental para que este marco se tornasse realidade. Quando há cooperação, os projetos saem do papel. Em breve, veremos locomotivas e vagões cruzando este território, não apenas como símbolo de progresso, mas como parte de uma história que avança com muito trabalho e responsabilidade.”

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