Durante participação no maior evento de mineração do mundo, realizado em Toronto, o CEO da Vale S.A., Gustavo Pimenta, afirmou que o Brasil atravessa um momento singular para o setor mineral. Em entrevista à CNN Brasil durante a convenção da Prospectors & Developers Association of Canada (PDAC), o executivo destacou que o país reúne condições geológicas, econômicas e estratégicas que o colocam em posição privilegiada na nova corrida global por minerais críticos.
Segundo Pimenta, a transição energética, a eletrificação da economia e o avanço acelerado de tecnologias como inteligência artificial vêm impulsionando uma demanda crescente por minerais estratégicos, especialmente cobre, níquel e minério de ferro de alta qualidade. Nesse cenário, o Brasil desponta como protagonista, não apenas pela abundância de recursos naturais, mas pela capacidade de expandir produção com responsabilidade ambiental e ganhos de eficiência operacional.
O cobre, em especial, ganhou centralidade nas discussões internacionais por ser insumo essencial para redes elétricas, veículos elétricos, sistemas de geração renovável e infraestrutura tecnológica. A Vale anunciou recentemente um plano de investimentos de aproximadamente US$ 3,5 bilhões até 2030 para ampliar sua produção do metal na região de Carajás, no Pará. A meta é dobrar a produção até 2035, acompanhando a expectativa de crescimento consistente da demanda global nas próximas décadas.
Para o CEO, o contexto geopolítico também reforça a importância estratégica do Brasil. Países buscam diversificar cadeias de suprimento e reduzir dependências concentradas em poucos fornecedores globais. Nesse movimento, nações com estabilidade institucional, grandes reservas minerais e capacidade produtiva ganham protagonismo. O Brasil, na visão do executivo, reúne essas características e pode ampliar sua relevância no comércio internacional de minerais críticos.
Ao mesmo tempo, Pimenta ressaltou que o avanço do setor depende de ambiente regulatório previsível, segurança jurídica e estímulos a investimentos de longo prazo. O debate sobre agregação de valor dentro do país, transformando minério em produtos com maior conteúdo tecnológico antes da exportação, também aparece como pauta estratégica para ampliar competitividade e geração de empregos qualificados.
A fala do CEO da Vale reforça a percepção de que a mineração volta ao centro das discussões sobre desenvolvimento econômico, transição energética e soberania industrial. Em meio às transformações estruturais da economia global, o Brasil surge não apenas como grande produtor de commodities, mas como potencial elo estratégico na nova arquitetura mineral do século XXI.

