Plano Nacional de Logística prevê R$ 1,225 trilhão em investimentos em infraestrutura até 2050, enquanto concessionárias aceleram a adoção de BIM, inteligência artificial e plataformas digitais para aumentar eficiência.

São Paulo – A retomada dos investimentos em infraestrutura ferroviária está acelerando a transformação digital do setor no Brasil. Em meio a um novo ciclo de planejamento e investimentos em infraestrutura, apoiado por iniciativas como o Novo Marco Legal das Ferrovias e o Plano Nacional de Logística (PNL 2050), o setor amplia o uso de plataformas digitais, BIM e inteligência artificial e gêmeos digitais para reduzir riscos de engenharia, aumentar a previsibilidade das obras e melhorar a gestão dos ativos ao longo de todo o seu ciclo de vida.

O movimento acompanha um novo ciclo de investimentos. O PNL 2050 prevê R$ 1,225 trilhão em aportes para a infraestrutura logística brasileira nas próximas décadas, com as ferrovias entre os modais prioritários para ampliar a capacidade de transporte de cargas, reduzir custos logísticos e diminuir a dependência do transporte rodoviário.

Por trás dessa transformação está um conjunto de tecnologias que permite integrar projetos de engenharia, simular obras antes da execução, centralizar informações e conectar diferentes equipes em um ambiente digital. Empresas como MRS Logística e a TPF Engenharia, responsáveis por alguns dos principais projetos ferroviários do País, utilizam soluções desenvolvidas pela Autodesk para apoiar suas estratégias de engenharia digital e gestão de ativos.

“A nova geração de projetos ferroviários exige muito mais do que capacidade de engenharia. Ela depende da integração de dados durante todo o ciclo de vida do empreendimento. Plataformas digitais permitem antecipar problemas, reduzir retrabalho, aumentar a previsibilidade das obras e construir uma base de informações que continuará gerando valor por décadas na operação da ferrovia”, afirma Sylvio Mode, diretor-presidente da Autodesk do Brasil.

MRS transforma ativos em uma plataforma de dados.

A MRS Logística, que administra 1.643 quilômetros de malha ferroviária entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, vive uma nova etapa de expansão após renovar sua concessão até 2056 e anunciar a entrada no transporte hidroviário.

Para apoiar esse crescimento, a companhia adotou a metodologia BIM como parte de sua estratégia de engenharia digital. O objetivo é integrar a gestão de aproximadamente 33 mil ativos ferroviários, entre trilhos, pontes, túneis, locomotivas e demais estruturas operacionais.

Segundo Paulo Renato, líder de Engenharia Digital da MRS Logística, a empresa percebeu que apenas digitalizar ativos não resolveria o desafio da expansão. “Precisávamos transformar a ferrovia em uma plataforma de dados capaz de apoiar decisões pelos próximos 30 anos. Nosso maior patrimônio não é apenas a infraestrutura física, mas o conhecimento que temos sobre ela”.

Aplicações práticas mostram ganhos de eficiência

Do Nordeste ao Sul do país, órgãos públicos e empresas privadas já utilizam a plataforma Design & Make da Autodesk para modernizar o planejamento, a execução e a gestão de obras por meio do BIM. Um deles é protagonizado pela TPF Engenharia, responsável pelo desenvolvimento de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental para a Nova Ferroeste, ferrovia de 1.304 quilômetros projetada para conectar importantes regiões produtoras de grãos do Mato Grosso do Sul e do Paraná ao Porto de Paranaguá.

O empreendimento tem potencial para reduzir a dependência do modal rodoviário em trajetos que hoje ultrapassam 2 mil km, diminuindo custos logísticos, aumentando a competitividade das exportações brasileiras e promovendo uma matriz de transporte mais sustentável.

Engenharia digital avança com as concessões:

A adoção de plataformas digitais acompanha uma mudança estrutural do setor ferroviário. Mode reforça que projetos mais complexos, contratos de longo prazo e a necessidade de maior eficiência operacional vêm impulsionando tecnologias como BIM, inteligência artificial, GeoBIM e gêmeos digitais para apoiar desde o planejamento até a operação da infraestrutura.

Nesse cenário, a Autodesk está transformando a forma como o mundo é projetado e construído. Reconhecida mundialmente por liderar a inovação nos setores de Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC), a plataforma Design & Make da Autodesk conecta equipes, dados e fluxos de trabalho ao longo de todo o ciclo de vida do projeto, desde a concepção até a entrega e as operações, oferecendo suporte às operadoras ferroviárias na área de infraestrutura.

“As novas concessões mostram que a infraestrutura deixou de ser apenas física. Hoje, uma ferrovia também é um ativo digital. A capacidade de integrar informações de projeto, construção, operação e manutenção será determinante para aumentar a produtividade e contribuir para que esses investimentos gerem mais produtividade e valor de longo prazo para o país”, afirma o diretor-presidente da Autodesk do Brasil.

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