O Ministério dos Transportes de Angola realizou nesta terça-feira (27), na cidade do Luena, província do Moxico, a cerimônia oficial de lançamento da primeira pedra do Ramal Ferroviário Luena–Saurimo, marcando o início das obras de uma das mais importantes expansões recentes da rede ferroviária nacional.

O projeto ligará as províncias do Moxico e da Lunda-Sul e integra a estratégia de modernização e expansão da infraestrutura de transportes do país. A cerimônia contou com a presença do ministro dos Transportes, Ricardo Viegas D’Abreu, além de autoridades governamentais, representantes das empresas envolvidas, líderes comunitários e membros da sociedade civil.

De acordo com o comunicado oficial, o empreendimento representa o primeiro investimento totalmente greenfield (implantado a partir do zero) no setor ferroviário angolano em quase um século. Segundo o ministro, após um longo período em que a prioridade esteve na reabilitação das linhas existentes — muitas delas afetadas pelo conflito armado —, o novo ramal simboliza uma virada estrutural na política de desenvolvimento ferroviário do país.

A obra foi adjudicada ao consórcio formado pelas construtoras Odebrecht Engenharia e Construção e Bento Pedroso Construções. O projeto prevê a construção de cerca de 260 quilômetros de linha férrea, com prazo estimado de execução de 60 meses, incluindo ainda 11 pontes, oito estações ferroviárias e dois cruzamentos estratégicos. A expectativa é de geração de aproximadamente 2 mil empregos diretos, com impacto significativo na dinamização econômica da região leste de Angola.

O Ramal Luena–Saurimo está inserido no Plano de Desenvolvimento Nacional e no Plano Diretor do Setor dos Transportes, compondo uma visão mais ampla de integração das principais infraestruturas do país. Em fases futuras, o traçado deverá conectar-se a outras regiões estratégicas, incluindo Malanje, Kuito e Menongue, além de possibilitar ligações internacionais com a Zâmbia, Namíbia e República Democrática do Congo, reforçando o posicionamento de Angola como plataforma logística da África Austral.

Do ponto de vista socioeconômico, a nova linha ferroviária deverá contribuir para a redução dos custos e dos tempos de transporte, apoiar o escoamento da produção agrícola e fortalecer cadeias produtivas locais. O projeto também prevê impacto direto no transporte de recursos minerais estratégicos, como cobre, cobalto e manganês, ampliando a ligação com corredores logísticos e com o Porto do Lobito, considerado estratégico para o comércio regional.

O Ministério dos Transportes informou ainda que todos os estudos de engenharia, bem como as avaliações ambientais e sociais, já foram concluídos, assim como as operações de desminagem ao longo de todo o corredor ferroviário, garantindo maior segurança para o início das obras.

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